Messi Wilde Pelé
O poeta irlandês Oscar Wilde costumava dizer que “um livro não é, de modo algum, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos”. Autor do Retrato de Dorian Gray, escrito em 1890, seu único romance, escreveu poemas maravilhosos, peças fantásticas e enfrentou a sociedade inglesa tradicional e conservadora da era vitoriana ao assumir sua condição de homossexual, que lhe custou uma pena de dois anos de cárcere na prisão de Reading, onde escreveu “De Profundis”, uma longa carta para o seu jovem amante Lord Alfred Douglas, a quem chamava carinhosamente de Bosie.
O que tem a ver a vida e obra de Oscar Wilde com Pelé ? Nada. O texto sim, fez-me lembrar o genial escritor, quando, após sucessivas noitadas regadas a vinho desafiava a imprensa e escritores medíocres que apostavam no seu insucesso, mesmo após suas crônicas, e peças teatrais como “Salomé”, terem ultrapassado as fronteiras do Reino Unido para fazer sucesso na França e nos Estados Unidos, inicialmente. Foi uma longa batalha, uma história incrível de perseverança e obstinação acompanhados de uma grande dose de talento. Hoje reconhecido em todo o mundo.
Wilde morreu no dia 30 de novembro de 1900. Em janeiro de 2012 lembrei-me do grande escritor, que tinha aversão a maus jornalistas, mais que a determinados editores. Os primeiros eram incompetentes, dizia, os outros preconceituosos, ardilosos, covardes. Detestava a ambos, com inteira razão porque sofria na pele uma perseguição brutal, violenta. Não poupavam sequer seu talento. Esquivava-se daquela classe de profissionais e evitava ler qualquer crônica a seu respeito. Mas era inevitável que chegassem a ele artigos falando de suas obras e, principalmente de sua vida.
Mal comparando, Pelé vive problemas semelhantes, mesmo quando está quieto no seu canto, levando sua vida de empresário, curtindo o seu status de “Rei do futebol”. Primeiro e único. Mas a maldita imprensa, ô gentinha mala, sempre encontra o que falar, discutir. Há sim, um preconceito velado ao brasileiro mais famoso de todos. Pior que isso, tenta encontrar, desde 1957, quando o mundo se espantou com seu futebol, alguém que possa ser comparado a ele. Até quando vão insistir com isso. Deixem de ser imbecis, parem de passar recibo de incompetente. Vendam as porcarias de seus jornais com alguma coisa que contribua para melhorar o mundo. Salvem os macacos ou coisa assim.
Vocês não se tocam que ninguém agüenta mais essa baboseira, sempre que falta assunto no futebol ? Resposta mais sensata, original e definitiva que deu Pelé, impossível. Foi um recado para vocês, que insistem em fazer comparações. “Ganhem três copas do mundo e façam 1283 gols e vamos começar a conversar”. Não foi para o Messi, craque indiscutível, incomparável nos dias atuais, que Pelé respondeu, mas para essa gente que não tem competência para escrever, criar uma matéria e tenta influenciar a opinião pública. Ora, vão procurar o que fazer.
Pelé foi, mais uma vez, simples em se tratando de se auto-analisar. Não basta ganhar três copas e fazer 1283 gols. Tem que ser campeão do mundo de seleções aos 17 anos, bicampeão aos 21, e bicampeão mundial de clubes aos 23 anos. Com o tri de 1970, cinco títulos mundiais. Precisa ainda ser “Atleta do Século”, fazer 58 gols num campeonato, com 17 anos, oito gols numa partida, parar o mundo para fazer o único gol mil da história, parar uma guerra, provocar a expulsão de um árbitro, pegar a Xuxa. Fico por aqui, com a certeza que virão novos “pelés” e as comparações. Se não, de que essa gente vai viver ?
Créditos:
Foto Pelé – site: ebafutebol.com.br
Foto Messi – site: footballwallpapers.com
Foto Oscar Wilde – site: poesiasdeflaviocuervo.blogspot.com
Montagem – Marcelo Santos

BBB FLAMENGO
Eu tinha 14 anos quando consegui meu primeiro emprego com carteira assinada, num armarinho muito simpático. Ficava na Av. Ataulfo de Paiva, 1280, Casa Madame Amaral. Os donos, seu Pacheco e seu Souza, dois portugueses sensacionais, vascaínos, claro, foram os patrões que qualquer empregado gostaria de ter, principalmente começando a vida, ganhando os primeiros 200 dinheiros da época, que eram entregues a D. Lourdes, que sabia, muito melhor que eu, como aplicá-lo. Uns trocados para gastar a gente conseguia varrendo o lotação do “Marta Rocha”, outro português, que só pegava mulher, nos pontos. Homem não entrava. Quem morou no Leblon sabe disso. Fazia a linha Estrada de Ferro-Leblon.
Junta daqui, cata dali, vou explicar por que dei essa volta toda à minha infância. Fiz uma poupança, se não estou enganado em 1962, e comprei um título do Flamengo, vendido pela Santa Paula Melhoramentos. Era um título de sócio não sei o que. Minha primeira aplicação foi essa. Dito isso, só para refrescar, fui sócio até 1989, quando pedi para não pagar mais a taxa de manutenção já que ia passar – pelo menos estava no contrato – dois anos na Arábia Saudita, trabalhando no Whida, de Meca, como preparador do time que era treinado por Jairzinho.
Contando, claro os oito anos que “cobri” o Flamengo para as rádios Tupi e Globo, nos anos 1980, da maior geração já formada na história do clube, viajando e freqüentando a Gávea sete dias da semana, 365 dias do ano, devo conhecer alguma coisa do mais popular clube desse país. Somando a isso, que tal passar um ano na assessoria do time, viajando, passando mais tempo no emprego que em casa, vendo tudo que é possível e impossível ? Dá para conhecer alguma coisa, não ?
Então, não encham o meu saco – desculpe amigo blogueiro – esses caras que não tem o que fazer e ficam mandando e-mails se achando donos do clube, defensores dos anarquistas de plantão que andam – há muitos anos – tentando vender o clube para qualquer brechó que aparecer. Li e me revoltei a ponto de pensar em escrever esse artigo, que o Flamengo estava sendo comparado ao que chamam de programa o tal BBB, de uma inutilidade de assombrar o Zé do Caixão nos áureos tempos. Pensei: é o apocalipse.
Na mesma semana surge a notícia do envolvimento do Ronaldinho Gaucho com uma mulher – menos mal – na concentração do time. O que foi feito, naquele momento ? Nada, absolutamente nada. Abafaram, como fazem com dezenas de outros casos, menores ou maiores que esse, mas a imprensa, que não sabe 10% do que se passa nos bastidores de um time de futebol, não noticiou. Não sabe porque não sabe mesmo, não é uma crítica ao pessoal que cobre o clube, que fique claro. É que eles abafam mesmo.
Isso com um técnico/manager, supervisor, diretor de não sei o que, gerente disso e daquilo, administrador e uma dezena de aspones que ficam mamando nas tetas do clube. O que deveriam ter feito ? Uma reunião com a comissão técnica, jogadores, chamar o funcionário Sergio Helt, que trata das passagens e mandar Ronaldinho Gaucho de volta, no primeiro avião. É assim que as coisas deveriam funcionar e funcionam em qualquer empresa séria. O que não é o caso do Flamengo.
Lamento dizer, amigo rubro-negro. O fim está próximo. Não sei de que, mas está. Só vai sobrar a torcida porque essa elas não conseguem vender. Do jeito que as coisas andam, sem falar no ridículo desfecho do caso Thiago Neves, na humilhação que o clube está passando – quase esmolando – para trazer Vagner Love é de fazer chorar. Dinheiro não é problema, há sempre uma solução. Basta recorrer ao BBB que cobre qualquer rombo na conta bancária do clube mais popular do país. E com edredon.
COMO ELES ROUBARAM O JOGO
O secretário geral da Fifa Jerôme Valcke achou-se no direito de subir o tom de voz nas conversas que teve com as autoridades brasileiras e tirou onda – ô terminho bem aplicado – como quem diz “não quer fazer a copa, dá para outro”. Veio na nossa casa dizer isso, nas entrelinhas e foi além, falou textualmente: “vocês fazem exigências demais à entidade que comanda o futebol”, referindo-se à Fifa.
E o que fizeram nossas autoridades quando essa turma que dirige a Fifa chegou aqui com um caderno de encargos que incluía liberação de bebida alcoólica, isenção de todos os impostos, que nós pobres mortais pagamos sem reclamar, e mil e uma exigências ? Absolutamente nada. Nem a nossa soberania foi respeitada, quiseram pisar em cima. Faltam machos nesse país, tenho repetido. Nossos dirigentes, além de incompetentes são frouxos.
“Só porque vocês ganharam cinco copas do mundo se acham no direito de pedir, pedir, pedir”, disse o Mr. Futebol – ou pelo menos é o que ele se julga ser – depois de se reunir com o Ministro Aldo Rebelo e o conselheiro do Comitê Organizador Local (COL), Ronaldo Fenômeno, posto no cargo para descascar os abacaxis do sumido Ricardo Teixeira, que está esperando a poeira baixar.
Tivesse a CBF respaldo moral ou fosse presidida por João Saldanha –não sei por que penso sempre nele nesses momentos – esse cara teria sido expulso da sala e levaria um sonoro pontapé no traseiro. Mas estamos em baixa, ocupando o sexto lugar no ranking dos “homens”, não podemos, ele tem razão, fazer muitas exigências. Puseram o rabinho entres as pernas e saíram de fininho.
Quando Jerôme cobra pressa na aprovação da lei – um conjunto de medidas que regulamenta a realização do mundial da Fifa, desde o preço dos ingressos até a proteção de marcas dos patrocinadores, inclusive cervejas, (quer salvar a Budewiser, claro), está certo, fazendo o seu papel. E, mais uma vez, tem razão.
A lei criou uma série de divergências entre as autoridades brasileiras e a Fifa, entre elas a concessão de meia-entrada para estudantes e idosos e a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios, que já citei acima. Talvez seja esse o maior entrave pela força política da marca americana de cervejas, a Budeweiser, um dos grandes patrocinadores da copa do mundo.
Jarôme tem suas razões para reclamar, temos que reconhecer isso. A Fifa não veio aqui pedir para fazer copa do mundo. A forma como ele chega, se aboleta numa poltrona e diz o que bem entende é que pega mal.. Guardadas as astronômicas diferenças, o Brasil faz a copa de 1950 e ninguém da Fifa veio aqui fazer cobranças. Pelo menos isso nunca foi publicado.
O que será que mudou tanto, o Brasil, a Fifa ou a incalculável fortuna que rola numa copa do mundo ? Depois de ler o livro do inglês David Yallop “Como eles roubaram o jogo” nunca mais vi futebol da mesma forma. Uma sensação de asco me tortura até hoje. Se quer conhecer como funciona “o jogo” vá correndo a uma boa livraria. Sobre a Fifa, Yallop escreve, na página 222, espero que ele permita transcrever um trecho importante de sua obra.
“Ao ser fundada em Paris, em 1904, a Fifa tratava de futebol e de pouco mais. Seu “ethos” permaneceu na maior parte intacto sub sucessivos presidentes, dois franceses, um belga e três ingleses, até que um brasileiro ocupou o trono em 1974. Dentro de alguns anos, o “ethos” começou a mudar. Uma década depois, havia sido inteiramente transformado. A Fifa não tratava mais de futebol. Tratava de produto, de patrocínio, publicidade e comercialização do produto. Tratava de dinheiro. O jogo ? O jogo havia sido roubado. Como fazem ladrões profissionais de obras de arte, o original fora substituído por uma cópia bem feita. A peça falsificada enganou muita gente. O que nos resta é esperar devotamente que Abraham Lincoln estivesse certo quando expressou suas opiniões sobre “enganar o povo”.
MARACANÃ DE LUTO
Ver a segunda copa do mundo no Maracanã era o grande sonho de Izaias Ambrósio, que nos deixou às 14h15min de terça-feira (10-01-12), aos 84 anos. “Sou mais que James Bond. Meu nome é Ambrósio, Izaias Ambrosio” dizia mostrando sua matrícula 009, largo sorriso, de bem com a vida. Mesmo depois da aposentadoria o “Mr. Maracanã” continuou recebendo turistas de todos os cantos do mundo, “arranhando” em quantos idiomas fossem necessários. Certa vez arriscou o árabe para um grupo de sauditas. Ele era assim.
Seus visitantes favoritos eram os uruguaios, a quem contava a história de final de 1950 com o orgulho de quem a tudo assistira, mesmo com a derrota do Brasil. Fazia sozinho o que hoje uma equipe de estagiários e funcionários da Suderj não consegue. Nem pode. Izaias era mais velho que o próprio estádio, o mesmo que querer conhecer o filho mais que o pai.
“Meus queridos hermanos”, era sua frase favorita, para vinte, trinta, cinqüenta visitantes reunidos em torno dele nas cadeiras especiais, lado direito da tribuna. Ficava estrategicamente posicionado no lado do gol histórico de Gighia, a quem conheceu depois e se tornou grande amigo. “Foi ali, naquele área, que ele entrou e chutou rasteiro no canto. Barbosa pagou essa conta a vida inteira”. E gritava gol seguido pelo grupo, que deixava sempre uma lembrança para reforçar a poupança.
Izaias virou lenda ainda vivo. Era a alma do maior e mais importante estádio de futebol do mundo. Trabalhou no “derby” como telefonista, mas foi afastado pela gagueira. Seguiu trabalhando em outras funções até assumir, definitivamente o cargo de guia oficial do estádio. Parou forçado por problemas nos joelhos, que dificultavam sua locomoção.
Antes de voltar a Bauru, onde nasceu, casou pela segunda vez, no Maracanã. A cerimônia foi realizada no Centro de Convivência, em frente a Calçada da Fama, na entrada do hall dos elevadores. Celebrada pelo então juiz Siro Darlan, a seu pedido, foi assistida pelos funcionários da Suderj, amigos e parentes. Pelo menos um de seus sonhos foi realizado.
Descanse em paz 009.
O BOTAFOGO JOGAVA COMO O BARCELONA
A frase, dita pelo ex-volante Carlos Roberto soa como mais uma bobagem numa transmissão de futebol ou papo de botequim, saída da boca de algum torcedor que passou dos limites na cerveja. Combinamos falar do Barcelona, o time que está encantando torcedores em todo o planeta e tive que mudar de idéia, a cada resposta do atual técnico, que atuou 4 anos com Gerson, Nei Conceição, Afonsinho, Carbone e Ademir Vicente, no Botafogo, e Clodoaldo, Ailton Lira, Leo Oliveira e Negreiros, no Santos, entre outros. Tive que mudar o roteiro para aproveitar um depoimento totalmente novo em relação ao time de Pep Guardiola, considerado o melhor do mundo. Mais que isso, sobre o fantástico Botafogo da década de 1960.
PODE EXPLICAR ?
- Temos que observar vários fatores, pela diferença de épocas. Primeiro, o profissionalismo com que o futebol é tratado na Europa. O nosso time daquela época, em toda a década de 1960, era o melhor do mundo, com todo o poderio do Santos, que tinha Pelé. O Botafogo não foi longe por falta de organização. Os salários atrasavam e não davam satisfação aos jogadores, isso gerava insatisfação, treinávamos num gramado esburacado, duro, desnivelado, um horror quando chovia. Jogávamos no campo do Olaria, que tinha areia, o do Bonsucesso era esburacado, duro, iluminação precária, desconforto nos vestiários, tudo contra. Tínhamos o melhor time e por isso ganhávamos, mas era complicado.
OS JOGADORES ERAM MELHORES ?
Sim, claro. Mas não havia comprometimento profissional, valorização dos títulos. A gente não se importava em perder a Libertadores, o que nós queríamos era ser campeão carioca. Esse era o título que nos dava prazer, todo mundo queria ser campeão estadual. A copa sul-americana a gente não ligava muito, servia apenas como um prêmio e todo mundo se divertia, principalmente nas viagens. Hoje, até o quinto lugar os times estão brigando, tentando a classificação. Vejam o último campeonato brasileiro, disputado até a última rodada. Foi muito emocionante mas tecnicamente muito fraco. Esteve nivelado por baixo.
NOSSOS CRAQUES ATUAM NA EUROPA, ISSO PREJUDICA ?
Naquela época os times eram mantidos, jogavam anos seguidos, com poucas mudanças, o que não acontece hoje, onde os jogadores deixam os clubes no meio da temporada, em pleno campeonato. Se o Vasco não tivesse ficado sem o Anderson Martins teria sido campeão. A saída dele foi muito ruim, prejudicou demais o time. A zaga perdeu a base, o entrosamento que ele estava amadurecendo com o Dedé, que acabou, mesmo assim, como destaque da equipe. O Vasco ficou de calça arriada.
QUAL A VANTAGEM DE JOGAR NA EUROPA ?
Lá é tudo diferente. O cara tem que se adaptar ao profissionalismo extremo, clima totalmente diferente no frio e uma grande organização nos maiores centros como Espanha, Italia, Inglaterra, França, entre outros mas os salários compensam. Se o cara for esperto fica milionário em 4, 5 anos. Antigamente a gente tinha medo de comprar um imóvel porque não sabia se receberia o salário em dia ou o pagamento das “luvas” (dinheiro adiantado na assinatura do contrato). A segurança que o jogador tem na Europa faz o seu rendimento melhor, joga mais tranquilo, sem pensar em problemas financeiros, que é muito desgastante. Você jogar sabendo que a família está em casa tranquila, só pensando no jogo, é outra coisa, sua performance só pode melhorar. A mesma coisa acontece nos treinamentos.
QUE AVALIAÇÃO PODE SER FEITA DA ATUAL SAFRA ?
- Tecnicamente fraca, sem talentos, salvo algumas exceções, como Neymar. O Paulo Henrique Ganso se esconde mas tem muita mídia que o idolatra. Tem muita moral com a imprensa, não sei porque. A gente cobra trabalho de base mas é impossível o jogador crescer num ambiente sujo, onde há outros interesses, pessoas que se beneficiam da falta de profissionalismo. Eles não ensinam nada. O Lucio corre errado na bola e nunca foi corrigido. Ele não sabe correr, se movimentar e ninguém observou isso no rapaz. Um trabalho de base, é bom que se diga.
COMO MUDAR ESSE QUADRO ?
- Mudando as pessoas. Quem trabalha na base tem que ser o melhor, saber ensinar. Hoje o garoto aparece num clube, num centro de treinamento, faz duas embaixadas ou dois gols numa pelada de observação e vira gênio. Fica todo mundo deslumbrado, inclusive ele que acaba ficando no meio do caminho, se não for bem orientado.
HÁ ALGUM CASO QUE TENHA CHAMADO SUA ATENÇÃO ?
- Um grande exemplo está aí, foi destaque do campeonato brasileiro, o Dedé, que corre errado, precisa ser corrigido imediatamente. Veio com esse defeito da base – não penso em apontar culpados, é apenas uma observação – mas precisa mudar sua forma de correr, dar o combate ao adversário. Ele parte pra cima, quando, em algumas vezes, precisar usar o atalho, diminuir a distância, correr menos. Ele se deu bem porque tem muita força e velocidade, mas pode melhorar muito.
MESMO ASSIM O BARCELONA É O TIME A SER BATIDO
Eles estão colhendo o que plantaram. Os caras investiram nisso, treinaram muito para chegar a esse ponto. São muito profissionais e não descobriram a pólvora, como já ouvi, apenas estão fazendo o que nossos jogadores faziam. O próprio Guardiola reconhece isso e falou depois da final contra o Santos, aquela exibição de gala, talvez a maior de toda a história do futebol.
PODEMOS VOLTAR A FAZER ISSO ?
- O grande time do Botafogo jogava parecido. Joguei numa equipe quase toda formada em General Severiano. Os clubes mantinham seus jogadores, mesmo alguns anos depois, como o grande Flamengo dos anos 1980. A gente vinha junto desde os juvenis, cada um sabia o que o outro ia fazer, dava tudo certo. Tivemos um ataque, um dos maiores do futebol mundial, formado por Rogerio, Roberto, Jairzinho e Paulo Cesar. Todos eles feitos no próprio clube, sem custar um centavo. O jogador pertencia ao clube. Hoje o cara é fatiado, para com isso. O craque faz a diferença mas a maior qualidade é o jogador jogar para o time,sem desprezar a atuação individual, o cara que dribla e decide, faz o gol. O recurso individual é fundamental.
NEYMAR SE ENQUADRA NESSA DEFINIÇÃO ?
- O Neymar jogaria fácil no Barcelona ou em qualquer time do mundo, por sua qualidade técnica, mas no Barça seria consagrado. Lá todo mundo joga dentro de uma filosofia implantada na base, não se expõe tanto. Todo mundo corre pouco e cansa menos, quem corre é a bola. Além disso ele encontraria um ambiente saudável para produzir o que dele se espera sempre, dentro e fora de campo. Com o futebol que tem e o elenco do Barcelona, seria uma grande atração internacional, como Messi. Renderia tanto quanto o argentino.
O QUE DIFERENCIA ESSES JOGADORES ?
- A referencia positiva e negativa. Robinho está jogando como veterano, como Ronaldinho Gaucho, que aluga uma parte do campo e fica por ali. Zagalo tem razão. É muito marketing para vender camisa, titulos de sócios, mas esquecem que o jogador se acomodou, não quer mais correr. Viram veteranos com 26 anos. Hoje, com todas as condições físicas que esses caras tem podem jogar até 35 anos tranquilamente. Dependendo do biótipo pode jogar até mais.
DÁ PARA SUSTENTAR A TESE QUE O GERSON NÃO JOGARIA HOJE ?
- Isso é uma barbaridade. Diziam que eu corria para o Gerson, minha mãe falava que os locutores só falavam meu nome, mas eu tinha Gerson, Jairzinho, a outras feras ao meu lado e eu estava sempre com a bola, já tinha esse conceito de que quanto mais a gente ficasse com a bola melhor. Ninguém sabia percentual de pose de bola, essas coisas de hoje. O maior exemplo disso foi a goleada que o Botafogo deu (com a camisa da seleção) com 8 jogadores, na Argentina. Foi 4×0 e eles não tocaram na bola. O último gol ficamos 8 minutos dando olé e Jairzinho fez o gol sem que eles tocassem na bola.

Botafogo foi a base da Seleção Brasileira que derrotou a Argentina por 4 x 0. Em pé: Moreira, Félix, Brito, Leônidas, Carlos Roberto e Valtencir. Agachados: Naldo, Gerson, Roberto, Jairzinho e Paulo Cezar - Foto: acervo pessoal
O BOTAFOGO ERA UM TIMAÇO !
- Mas as pessoas não sabiam disso. E até hoje muita gente não sabe. A visibilidade era bem menor, não havia a divulgação de hoje, marketing, todo esse esquema que veio com a globalização, internet, etc. Num torneio hexagonal no México, em 1968, derrotamos o Ferencvaros com a base da seleção húngara por 4×0 e os caras não viram a bola. A imprensa perguntava “que time é esse”? Pegamos Partizan e o Estrela Vermelha, base da Iugoslavia, que tinha uma maravilhosa seleção e ganhamos os dois (2×0 e 1×0). Ganhamos da seleção mexicana que se preparava para a copa de 70 de 1×0, gol de Roberto Miranda. Era um time quase imbatível. A gente jogava e se divertia muito.
ERA O BARCELONA DA ÉPOCA ?
Não havia a divulgação que há hoje, repito. Nem no Brasil sabiam o que a gente aprontava mundo afora. Como o Barcelona, esquecem que o Botafogo tinha metade da seleção brasileira bicampeão do mundo no Chile. A imprensa era muito bairrista, cega, não via, por exemplo, em São Pauilo, o nosso potencial, nossas virtudes. Ao passo que no Rio o Santos era reconhecido, o tratamento era outro. Digo isso porque joguei nos dois. Essa identificação que o Santos tinha com o Rio era pelo fato de se considerem “santistas”, não paulistas.
ESSE QUADRO ATUAL PODE SER REVERTIDO ?
Pode, primeiro vamos ter que voltar a valorizar os jogadores talentosos, deixar fluir, driblar, ter bons ensinamentos, exemplos, deixar de ficar reféns de empresários. Difícil o time ter um jogador como Zico, vindo da base, independente do dinheiro, cria amor pelo clube. Quando saí do Botafogo, ganhando mais no Santos, chorei ao sair do clube. Fui levado pelo Nilton Santos até o portão porque o clube queria me vender, quando eu queria ficar. Ia fazer quinze anos, na carreira, com 28 anos, no auge. E tive que sair. Fui mandado embora (1976).
O BARCELONA É IMARCÁVEL ?
Hoje é. Nenhum time no mundo para eles. Terão que treinar muito para se parecer com eles, depois executar o que eles fazem. Tem que praticar a posse de bola e o preparo físico deles é sensacional. Eles tocam a bola para descansar depois imprimem a velocidade ditada por eles. Marcam em todas as zonas do campo, estão sempre em vantagem numérica. Não correm porque quem corre é o adversário. Veja que estão sempre ganhando as “segundas bolas”, pelo excelente posicionamento que é bem definido em campo. É um time quase perfeito.
MARCELO COMPLETA CINCO ANOS NO REAL MADRID
O ex-lateral do Fluminense estreou com a camisa branca no dia 7 de janeiro de 2007 no estádio Riazor, em La Coruña, contra o Deportivo, pelo campeonato espanhol, com apenas 18 anos de idade. Exatamente cinco anos depois e já consagrado como um dos melhores laterais do futebol mundial, deverá completar sua partida 186, contra o Granada, às 20 horas (local), pela 18ª rodada da Liga BBVA. Nesse período Marcelo foi duas vezes campeão nacional (2007 e 2008), ganhou a Supercopa da Espanha (2008) e uma Copa do Rey, ano passado, derrotando o Barcelona por 1×0.
Considerado jogador chave do esquema do técnico José Mourinho, Marcelo estreou na temporada 2006-2007 substituindo a Michel Salgado, titular por muitos anos, reverenciado pelos torcedores merengues por sua disposição – às vezes exagerada – e dedicação ao clube, que conta muito para quem defende a camisa branca. Marcelo juntou à vontade de jogar uma grande dose de talento e foi melhorando a cada tempçorada. Com a chegada de José Mourinho melhorou a marcação e hoje é considerado o melhor lateral esquerdo Espanha e, para grande parte da imprensa, o melhor do mundo.
A progressão de Marcelo desde que chegou ao Santiago Bernabeu tem sido espetacular. Em sua primeira temporada, quando veio do Fluminense na “janela” do inverno europeu, disputou apenas seis partidas porem deixou boa impressão para os torcedores e a comissão técnica. Com a saída de Roberto Carlos para o Fenerbahçe, surgiu a grande oportunidade que ele esperava. Mostrando todas as qualidades que o consagram, pouco antes de completar 19 anos já era considerado substituto de Roberto, tido como o melhor lateral esquerdo do maior clube do mundo. Não é pouco. Bastaram 32 jogos oficiais para ocupar de vez a posição de titular.
Nas duas temporadas seguintes com a camisa branca veio a sua consagração. Ganhou de vez a titularidade atuando em 34 e 43 partidas, respectivamente, quando aflorou sua capacidade ofensiva e capacidade de fazer gols que tanto caracterizam seu futebol. Seu primeiro gol foi marcado no dia 15 de fevereiro, contra o Sporting, no estádio El Molinón, em Gijon. Marcou mais 14 gols até agora, o que lhe dá a condição de um dos defensores mais goleadores da Liga.
A chegada de José Mourinho ao Real deu a Marcelo o toque mágico que faltava para se tornar um grande jogador. Disputou 50 partidas (32 na Liga, 6 na Copa do Rei e 12 na Liga dos Campeões), marcando cinco gols. Com apenas 23 anos, Marcelo é considerado peça importantíssima dentro de campo como também fora dele, no vestiário, onde ganhou o respeito e admiração de todos, a ponto de se tornar o terceiro capitão do time – que geralmente é dado a espanhóis feitos no clube – depois de Casillas e Sergio Ramos.
VEM AÍ A NOVA AGAP/RIO
Confirmada a convocação da Assembléia Geral da Agap (Associação de Garantia ao Atleta Profissional) para o dia 9 de janeiro, quando ex-jogadores estarão definindo quadros para a formação da nova diretoria. O deputado federal Deley, que tem buscado apoio em Brasilia para o fortalecimento da “nova entidade”, como ficou conhecido o movimento iniciado dia 26 de agosto de 2011, poderá ser o novo presidente, por aclamação.
A idéia do movimento é reestruturar a Agap/Rio, atualmente desativada, para uma futura fusão com a Fugap, presidida pelo ex-goleiro Ricardo Cruz, que recebia um percentual das rendas do Maracanã. Com as obras do estádio, a entidade perdeu sua única fonte de renda e funciona em situação precária. Será formado um Conselho Master, formado pelos ex-presidentes Zico, Ubirajara Mota, Zé Mario, Paulo Cesar Martins e Gaucho, para orientar os rumos da nova entidade.
O novo encontro está sendo organizado pelo ex-zagueiro Fred (Flamengo, Botafogo e Seleção Olímpica), principal responsável pelo movimento, que teve a presença de Wilson Piazza, presidente da FAAP, Zico, Jairzinho, Paulo Cezar Lima, Deley, Rogerio Hetmanek, Zé Mario, Ubirajara Mota, Nilson Dias, Duilio, entre outros e deverá reunir os ex-presidentes da Agap. A novo encontro será no CFZ, no Recreio dos Bandeirantes.
A primeira convocação está marcada para 14 horas, com a presença de 2/3 dos associados a segunda para 14h30 min com metade mais um dos associados e a terceira para 15 horas, com a presença de qualquer número de sócios. Na ordem do dia serão votados os seguintes itens:
1) Eleger o Presidente e Vice-Presidentes, Conselho Fiscal e Suplentes para o quadriênio de 09-01-2012 a 09-01-2016
2) Reforma do Estatuto na sua totalidade, a fim de adaptar-se às resoluções e atos emanados do Poder Público e da Federação das Associações de Atletas Profissionais – FAAP;
3) Assuntos Gerais.
FEIJOADA NO TIJUCA
FEIJOADA DA ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA TIJUCA
RUA BARÃO DE MESQUITA 149 – TIJUCA
DOMINGO 8 DE JANEIRO – 13 HORAS.
MARQUINHO SATHAN E GRUPO EXPORTA SAMBA.
Organização: Instituto Mais Memória e Associação Atlética Tijuca.
Na oportunidade, homenagearemos o SILVA BATUTA pela passagem de seu aniversário (02 de janeiro).
CONSTATAÇÃO, NADA MAIS
Começo 2012 como terminei 2011. Trazendo para você, amigo leitor, que se está aqui é porque há alguma razão, o que penso. Procuro fazer o que sei, usando um argumento simples. Não tenho que prestar contas a ninguém. Respeito sua opinião e ponto. Concordando ou não com a minha, a sua merece respeito e assim vou levando. Sou fiel aos meus conceitos, sem abrir mão da ética, quando ela é necessária.
Revendo a escalação da seleção de jogadores sul-americanos, a grande notícia do fim de ano, uma coisa deixou bem claro o que chamo “nivelado por baixo”, quando analisei o campeonato brasileiro vencido pelo Corinthians. Não para desmerecer a conquista do time paulista. Longe disso, o Timão foi legítimo ganhador, pena que não recebeu a taça em campo. Mas isso é uma história para os próximos 12 meses.
O que está por baixo é o futebol brasileiro, pessimamente dirigido, tanto na CBF quanto nas Federações e clubes. A CBF é um poço de acusações de propinas, corrupção, roubalheira por todos os lados. Nem Blatter aguenta mais as bandalheiras atribuídas ao seu amigo Ricardo Teixeira, que terá um ano muito difícil para explicar tantas suspeitas.
Os clubes vão de mal a pior. O Flamengo assume compromisso para pagar 1 milhão e 600 mil reais por mês a Ronaldinho Gaucho e o jogador termina a temporada dizendo que não recebeu. Jogadores são comprados e vendidos em fatias, como boi no açougue. Uma perna de um empresário, o braço de outro, a cabeça pertence ao clube que, como empregador deveria ficar com o filé mas acaba ficando com o tutano.
Aí você lê e ouve que temos o “melhor campeonato do mundo”, dito por gente irresponsável, que não respeita uma nova geração que está deixando as faculdades buscando seu espaço. Assim, esses meninos e meninas são formados, ouvindo mentiras, conchavos, gente sem escrúpulos, que venda a alma para garantir um bom patrocinador. Isso é uma vergonha, diria Boris Casoy.
Eis que surge a seleção – ia me esquecendo dela – dos melhores do ano nascidos na América do Sul. E lá está o moleque Neymar, com seu indefectível penteado e futebol de primeira qualidade, conquistando 130 votos quando a média foi de 25 por posição, exceção do atacante Eduardo Vargas, do Universidad do Chile, vendido ao Napoli, da Itália, que mereceu 70 citações.
Gostaria de perguntar aos “comentaristas” onde está o futebol mais fantástico da terra que, além de Neymar teve apenas o Paulo Henrique Ganso entre os melhores, com apenas 33 votos. Graças ao título da Taça Libertadores da América, conquistado pelo Santos, que, nem por isso escapou de uma goleada humilhante diante do Barcelona, o melhor time do mundo. Pelo menos há essa atenuante.
Quero saber até quando essa gente quer continuar enganando os leitores e ouvintes. E por que. Vem aí as competições estaduais, que alguns insistem em chamar de “regionais”. Pra que, pergunto. Se ao menos servisse de pré-temporada seria uma boa razão para continuar existindo. Não sou contra essa competição, desde que bem organizada, sem a necessidade de preencher grade de televisão. Mas isso são outros papos, que a gente vai levar durante todo o ano.
O QUE PRECISA MUDAR
Penso que só haverá mudança com uma imprensa atuante, exercendo o seu papel de informar e criticar com total isenção. É pedir muito, reconheço, mas nós temos como exigir isso, através da manifestação imediata do “voto”, ou seja, escolhendo melhor aqueles veículos a quem recorremos para saber o que se passa numa partida de futebol ou qualquer outro esporte. Sei que o nível nunca esteve tão ruim. Como no futebol, a turma que o apresenta está abaixo da crítica, chegando a níveis insuportáveis, em determinadas ocasiões.
Há um bairrismo e ufanismo muito acima do aceitável. Uma forma de atrair ouvintes e espectadores como nunca aconteceu na área de comunicação. Hoje há uma classe mais exigente, que cobra profissionalismo e isenção. Imaginar que aumentará audiência com os exageros usados na maioria das narrações e comentários é bobagem. Isso não vai acontecer mais, nem vai mudar, essa postura. Vamos esquecer esse comprometimento, que existirá sempre. Você, espectador/ouvinte, é o que menos importa, e sim os números das pesquisas, nem sempre confiáveis.
Em campo e fora dele a situação não é menos preocupante. Difícil é saber por onde começar e terminar. É fácil dizer que vimos o melhor campeonato brasileiro de todos os tempos. Não foi bem assim, mas “vende” se posto dessa forma. Na verdade vimos um campeonato emocionante, empolgante, mas nivelado por baixo. Basta ver o time campeão e tudo estará explicado. Quantos jogadores do Corinthians seriam, hoje, titulares na seleção brasileira, mesmo essa do Mano Menezes, total mente indefinida depois de tantos meses de experiências em vão ?
Fora Neymar, qual foi o grande destaque da temporada ? Comemora-se a volta dos craques em atividade fora do país, mas o que vimos foi uma debandada de jogadores em fim de carreira ou perto disso. Outro sintoma da falta de ídolos foi o absurdo exagero em torno do zagueiro Dedé, do Vasco, nivelado a Nilton Santos o que, convenhamos, é um sacrilégio. Foi um dos raros destaques do campeonato brasileiro, do Vasco, do futebol carioca, mas chegaram à beira do ridículo. Menos mal que ele parece um jovem centrado, consciente do seu potencial e não se deixou influenciar por essas “brincadeiras”.
Continuamos praticando um futebol retrógado, ultrapassado, com características próprias de um país onde o reconhecimento e o cumprimento às leis é o que menos importa. A televisão impõe as regras do jogo, para clubes endividados, mal administrados, e domina, também, algumas federações. Basta isso para justificar a entrega da Taça numa festa da TV, em auditório, o que só acontece no futebol brasileiro. Esperamos uma postura dos clubes em respeito ao torcedor, que merece ver seu time dar a volta olímpica com o troféu, como vimos no Japão, quando o Barcelona sagrou-se campeão do mundo. Cabe a você, torcedor, exigir isso.
Outra mudança urgente é a adaptação do calendário brasileiro aos de todo o mundo. Impossível continuar trabalhando sem ter um objetivo. Os times da Espanha, Itália, Reino Unido, Portugal, França e tantos outros importantes preparam seus jogadores para todas as competições, e não são menos que as nossas. Além dos campeonatos nacionais, a maioria com 38 rodadas, constam nos calendários Copas locais e a Liga dos Campeões. E não se fala em priorizar nenhuma delas. Todas as competições são importantes e lucrativas. Além de tradicionais. Algumas delas são disputadas há mais de 100 anos.
Há muito mais a ser revisto. Sei que seria demais pedir mudanças na CBF, até porque há um atraso de décadas em torno desse assunto. A saída do atual presidente é apelo nacional. O envolvimento de Ricardo Teixeira numa vasta lista de acusações de suborno e outros desmandos está manchando em níveis insuportáveis o nome do futebol brasileiro. Antes idolatrado e querido, nosso esporte favorito perdeu a credibilidade e o respeito. Ocupa a sexta posição no ranking internacional, posição que jamais ocupou, mesmo nos piores momentos.
O futebol brasileiro precisa criar uma Liga para administrar parte do futebol. A CBF está completamente desmoralizada. Os clubes não querem mudanças, enquanto tiverem onde passar a sacolinha para pegar verbas antecipadas. O desmantelamento do Clube dos 13 abriu uma grande oportunidade para isso. Os clubes não quiseram e não querem mudança, repito. É melhor como está, deixa assim. Assim será.
Feliz 2012.














