O MARACA É NOSSO

Durante onze anos fui responsável pela assessoria de imprensa da Suderj e tive o privilégio de trabalhar com 51 estagiários e funcionários, um deles, que não está em nenhum desses grupos, por razões óbvias, chamado Nilton Santos. Convivi com o maior lateral de esquerdo de todos os tempos por quase dois anos. Arrumando as malas para retornar de Brasília, definitivamente, Nilton aceitou convite do presidente Francisco de Carvalho. Não quis mesa nem conforto. Era feliz convivendo com gente que lhe dava respeito, carinho, alegria. E se sentia em casa.

Nosso maior legado foi ter organizado a “Calçada da Fama”, como total e irrestrito apoio do presidente Chquinho, que não poupou esforços para que os cinqüenta anos do Maracanã fossem  comemorados com a pompa que o estádio merecia. Assim, Pelé desmarcou viagem a Nova Iorque, onde passava férias com a família, para se juntar aos que ajudaram a construir a história do mais importante estádio de futebol do mundo. Estiveram presentes 26 jogadores, 14 não puderam vir e 11 foram homenageados In Memorian.  Foram 51 homenageados – um mais – isso é outra história.

Lá está eternizada a marca dos heróis que fizeram a história do estádio Mario Filho, nome oficial do Maracanã, enquanto não aparece um mágico para transformá-lo em “arena” (antigos anfiteatros romanos) onde os gladiadores se enfrentavam, ou enfrentavam os leões que, quase sempre levavam a melhor. Não tive coragem de ir ao estádio onde trabalhei por 21 anos como repórter de campo, oito como comentarista e mais de vinte como torcedor. São números aproximados, difíceis de apresentar com exatidão. Sei que frequento o Maraca desde 1956, quando já despertava em mim uma grande paixão pelo futebol, graças a Dida.

Não tive coragem de ir ao primeiro “jogo”, na verdade um teste. Sei que o estádio (até quando) está belíssimo, tenho acompanhado as obras todos esses mais de dois anos. Sei que havia necessidade de modernizá-lo, prepará-lo para o grande evento da copa do mundo. Nas condições em que se encontrava não havia a menor condição de receber torcedores de todos os cantos do mundo. Até porque trata-se de um cartão postal do País, o mais famoso estádio (até quando) de futebol do mundo. Que serviu de palco para o único gol 1000 da história do futebol.

Sou, como todo brasileiro, saudosista. Mas transigente, não vou bater pé achando que estava tudo errado. Mas, de casa, senti falta do Zico, o grande herói da nação rubro-negra, em maior número, como sempre. Esse moço fez 333 gols no estádio (até quando) e não estava em campo, mas tinha “amigos” jogando.  Bateu uma saudade imensa. Gostaria que tivessem trazido  Pelé, que nunca escondeu seu amor pelo Maraca, sua casa, do seu Santos, quando era o maior time de futebol do planeta. Ganhou o bicampeonato mundial, contra o Milan e deu muitos shows para os cariocas. Teve até gol de placa, além do mil.

Bonita homenagem ao servente sorteado entre os trabalhadores que reconstruíram o velho Maraca, dando o pontapé inicial.  Muito oba-oba, centenas de pessoas em campo (é bom começar a mudar essa “cultura”), musicais, hino (poderia ser melhor) e muita alegria dos humildes operários, que deram uma lição de comportamento, até onde pude ver. Confesso, senti falta de uma lembrança aos jogadores mais humildes, que sempre são esquecidos nesse tipo de evento. Confesso, embora um baita saudosista, não vi meus craques, como Junior, Roger, Carlos Germano, Torres, Ronaldo, Bebetinho, Zetti, Ricardo Rocha, Renato Gaúcho, Djalminha e outros. Quando começou um programa de auditório mudei de canal, como faço sempre. 

 

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